Delegado descarta doença e aponta negligência como causa da morte de bebê em creche clandestina de Curitiba
A Polícia Civil do Paraná concluiu nesta quinta-feira (26) o inquérito que investigava a morte do bebê Gael Henry Cunha de Oliveira, de 4 meses, ocorrida no dia 19 de maio em uma creche clandestina no bairro Tatuquara, em Curitiba. De acordo com o delegado Fabiano Oliveira, responsável pelo caso, a causa da morte foi negligência por parte dos responsáveis pelo local, e não um suposto quadro de saúde grave, como alegado pela defesa.
Segundo o delegado, laudos médicos da Secretaria de Estado da Saúde (SESA) mostram que o bebê, que havia sido diagnosticado com bronquiolite dias antes, já estava recuperado e havia recebido alta médica normalmente. “Não há indícios de que ele estivesse em condições precárias de saúde. Ele foi tratado, liberado, e não apresentava qualquer risco iminente à vida”, afirmou.
A investigação apontou que a creche, que funcionava de forma irregular há cerca de 12 anos, recebia um número excessivo de crianças e não oferecia condições adequadas de cuidado, especialmente para bebês que demandam atenção constante.
“O bebê estava há cerca de uma semana e meia com sintomas respiratórios, mas havia sido tratado. Mesmo que houvesse alguma secreção, o que é comum no clima de Curitiba, isso não justifica ou explica a morte. A tentativa de atribuir o óbito a uma suposta doença é muito temerária”, declarou o delegado em coletiva de imprensa.
Relembre o caso
Gael havia começado a frequentar a creche clandestina apenas 10 dias antes da tragédia. No dia do incidente, ele foi deixado sob os cuidados do casal responsável pelo local por volta das 8h. Às 10h, foi alimentado com mamadeira, colocado para arrotar e, em seguida, deixado dormindo em uma cama.
Cerca de 10 a 15 minutos depois, os responsáveis encontraram o bebê já sem sinais vitais. Equipes de socorro foram acionadas e tentaram reanimar a criança por cerca de 50 minutos, mas sem sucesso.
Com a conclusão do inquérito, o caso foi encaminhado ao Ministério Público do Paraná, que decidirá se apresenta denúncia formal contra o casal por homicídio culposo — quando não há intenção de matar.
O caso gerou forte comoção e reacendeu o debate sobre a fiscalização de creches e espaços que cuidam de crianças em Curitiba. A creche em questão já havia sido alvo de denúncias anteriores e visitas da Vigilância Sanitária e do Conselho Tutelar em 2022 e 2023.
Imagens: Portal Ric.
