Flávio Bolsonaro nega relação entre investigação em São Paulo e filme sobre Jair Bolsonaro

 Flávio Bolsonaro nega relação entre investigação em São Paulo e filme sobre Jair Bolsonaro

O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), negou qualquer ligação entre a operação da Polícia Civil de São Paulo que apura supostos desvios de recursos públicos e a produção do filme Dark Horse, obra que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A declaração foi feita após a deflagração da operação que investiga possíveis irregularidades em um contrato de R$ 108 milhões firmado entre a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) da Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), administrado pela empresária Karina Ferreira da Gama, também sócia da produtora responsável pelo longa-metragem.

“Não tem nada a ver com o filme”, afirmou Flávio Bolsonaro ao comentar o caso.

Operação apura suspeitas de desvios em contrato público

Batizada de Operação Wi-Fi Livre, a investigação apura possíveis crimes de fraude em licitação, desvio de recursos públicos, superfaturamento e uso de notas fiscais supostamente irregulares na execução do programa WiFi Livre SP.

O contrato previa a implantação, operação e manutenção de 5 mil pontos de internet gratuita em comunidades da capital paulista. Segundo a Polícia Civil, há indícios de irregularidades desde a fase de contratação.

As investigações apontam que o Instituto Conhecer Brasil foi o único participante do chamamento público, apesar de não possuir histórico de atuação na área de telecomunicações. Conforme os investigadores, a entidade atuava anteriormente em projetos ligados a eventos culturais e religiosos.

Diferença de valores chamou atenção dos investigadores

De acordo com a apuração, os valores cobrados pelo instituto seriam significativamente superiores aos praticados anteriormente pela Prodam, empresa municipal de tecnologia. Enquanto a implantação e manutenção dos pontos de internet eram realizadas por valores menores, o novo contrato teria fixado custos de até R$ 1.800 mensais por ponto instalado.

Outro ponto investigado é a suposta antecipação de aproximadamente R$ 26 milhões pela Prefeitura de São Paulo sem a comprovação integral da execução dos serviços contratados.

Segundo a polícia, entre julho e agosto de 2024 foram repassados mais de R$ 11 milhões referentes à instalação de 3,2 mil pontos de acesso. No entanto, apenas uma pequena parcela estaria efetivamente em funcionamento naquele período.

Possível ligação financeira com a produtora também é investigada

Os investigadores apuram ainda se houve eventual utilização cruzada de recursos entre o contrato público e empresas ligadas à empresária responsável pela produção de Dark Horse. Até o momento, não há conclusões definitivas sobre essa hipótese.

A Polícia Civil segue analisando documentos, contratos, movimentações financeiras e equipamentos apreendidos durante a operação. Nenhuma prisão foi realizada até o momento.

A Prefeitura de São Paulo informou que o programa continua em funcionamento e afirmou que o contrato seguiu os trâmites legais. Já os representantes do instituto e da produtora ainda podem apresentar esclarecimentos no decorrer das investigações.

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