EUA apontam Pix como motivo para novo tarifaço contra o Brasil
O sistema de pagamentos instantâneos Pix foi citado pelo governo dos Estados Unidos como uma das razões para a proposta de aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A medida consta em relatório divulgado pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), que acusa o Brasil de favorecer o sistema criado pelo Banco Central em detrimento de empresas americanas do setor financeiro.
O documento, com 107 páginas, é resultado de uma investigação iniciada durante o governo de Donald Trump com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo utilizado pelos Estados Unidos para contestar práticas comerciais consideradas desleais.
Segundo o relatório, o Brasil concederia tratamento preferencial ao Pix, criando condições que, na avaliação do governo norte-americano, prejudicam empresas estrangeiras que atuam no mercado de pagamentos eletrônicos.
Governo americano vê concorrência desleal
Entre as críticas apresentadas pelo USTR está a obrigatoriedade de participação no sistema para instituições financeiras com grande número de clientes, além da exigência de que o Pix tenha destaque semelhante ao de outros meios de pagamento em aplicativos e plataformas bancárias.
O órgão também afirma que o Banco Central exerce um papel duplo como regulador e operador do sistema, o que, segundo a avaliação americana, poderia gerar conflito de interesses e favorecer o Pix em relação a concorrentes privados.
Para o governo dos Estados Unidos, essas medidas acabam impondo custos adicionais às empresas americanas do setor financeiro e de pagamentos digitais.
Especialistas apontam disputa comercial
Especialistas em economia avaliam que a crítica ao Pix está ligada à crescente participação do sistema brasileiro no mercado de pagamentos eletrônicos. O modelo, gratuito para pessoas físicas e administrado pelo Banco Central, passou a competir diretamente com operadoras de cartões de crédito e plataformas privadas de pagamento.
Segundo dados do Banco Central, o Pix respondeu por 54,7% das transações de pagamento realizadas no Brasil durante o segundo semestre de 2025, somando cerca de 42,9 bilhões de operações no período. Já os cartões de crédito, débito e pré-pagos representaram 30,4% das transações.
Analistas entendem que a expansão do Pix reduziu a dependência de sistemas privados tradicionalmente dominados por grandes empresas internacionais, ampliando a disputa pelo mercado de pagamentos digitais.
Brasil poderá apresentar defesa
O relatório do USTR também aborda outros temas relacionados à política comercial brasileira, como propriedade intelectual, etanol, comércio digital e questões ambientais.
O governo brasileiro e empresas potencialmente afetadas terão prazo até 15 de julho para apresentar manifestações sobre o documento. Após essa etapa, os Estados Unidos poderão decidir pela adoção de medidas comerciais contra o Brasil, incluindo a aplicação da tarifa adicional proposta.
