Ministério da Saúde suspende temporariamente vacina contra dengue do Butantan após relatos de casos graves
O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária da aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A medida foi adotada após o registro de três casos graves, incluindo duas mortes, e 42 notificações de eventos adversos considerados severos, que estão sendo investigados pelas autoridades de saúde.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, não há comprovação de que os casos tenham sido causados pelo imunizante, mas a suspensão foi determinada por precaução até a conclusão das análises.
De acordo com a pasta, mais de 500 mil doses da vacina já foram aplicadas desde o início da campanha piloto, lançada em janeiro. Inicialmente, a imunização ocorreu nos municípios de Nova Lima (MG), Maranguape (CE) e Botucatu (SP), sendo posteriormente ampliada para profissionais da saúde. A vacina era destinada a pessoas entre 15 e 59 anos.
Casos estão sob investigação
Entre os episódios analisados estão os casos de duas mulheres, de 39 e 48 anos, e de um homem de 58 anos.
Segundo o Ministério da Saúde, uma das pacientes apresentou sintomas 19 dias após a vacinação e morreu posteriormente. O homem desenvolveu um quadro febril cinco dias após receber a dose e também faleceu. O terceiro caso grave segue em investigação.
Além dessas ocorrências, foram registrados outros 42 relatos de eventos adversos severos. As autoridades avaliam se existe alguma relação entre os casos e a aplicação da vacina.
Orientação para pessoas vacinadas
O Ministério da Saúde recomenda que pessoas imunizadas observem possíveis sintomas, principalmente nos primeiros 21 dias após a aplicação da dose.
Os sinais de alerta incluem:
- Febre;
- Dor abdominal intensa e persistente;
- Vômitos frequentes;
- Tontura;
- Sangramentos;
- Sonolência excessiva;
- Irritabilidade;
- Sinais de desidratação;
- Piora do estado geral.
A orientação é procurar atendimento médico imediatamente em caso de sintomas.
Eficácia da vacina não foi descartada
O diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, afirmou que a suspensão não representa uma conclusão sobre a segurança ou a eficácia do imunizante.
Segundo ele, a medida tem caráter preventivo e busca permitir uma investigação detalhada dos casos registrados.
O Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) devem analisar fatores como armazenamento das doses, logística de distribuição, aplicação da vacina e possíveis características em comum entre os pacientes afetados.
As secretarias estaduais e municipais de saúde também foram orientadas a reforçar o monitoramento e a notificação de eventuais reações adversas.
