Professora é agredida por aluno após cobrar atividade em colégio cívico-militar
Adolescente de 14 anos teria trancado a sala antes de atacar a docente, que sofreu ferimentos no rosto e precisou levar ponto na pálpebra
Uma professora de 61 anos foi agredida por um aluno de 14 anos dentro de uma sala de aula de um colégio estadual cívico-militar, na região norte de Londrina, no Norte do Paraná. O caso aconteceu na tarde de segunda-feira (24), no fim do turno escolar, em uma turma do 8º ano.
A docente, que leciona Língua Portuguesa, relatou que o estudante pediu autorização para ir ao banheiro, mas ela solicitou que ele apresentasse uma atividade realizada em sala antes de sair.
Segundo a professora, após ser contrariado, o adolescente teria começado a ofendê-la. Ela então caminhou até a porta para chamar um inspetor militar. Nesse momento, o aluno teria corrido em direção à professora, tomado a chave da sala e impedido que ela deixasse o local.
Professora sofreu ferimentos no rosto
Conforme o relato da docente Márcia Luciana da Rocha Dei Tos, o adolescente teria desferido vários socos contra a cabeça dela. Durante a agressão, um dos golpes atingiu a região do olho.
“Ele saiu correndo lá do fundo e veio… só sei que ele veio de cima. Ele deve ter pulado e acertado o soco no meu olho”, relatou a professora.
Outros estudantes que estavam na sala intervieram e conseguiram afastar o adolescente.
A professora sofreu hematomas no rosto e um corte na pálpebra, que precisou de um ponto. Os óculos usados por ela também foram quebrados durante a agressão.
Docente registrou boletim de ocorrência
Após o episódio, Márcia registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil e, na terça-feira (25), passou por exame de corpo de delito no Instituto Médico-Legal (IML).
Com mais de 20 anos de profissão e responsável por aproximadamente 200 alunos, a professora afirmou que nunca havia sido agredida fisicamente dentro de uma escola. Ela, porém, relatou que situações de desrespeito e ofensas são frequentes no ambiente escolar.
“Desacato a gente recebe todos os dias dentro da aula. A gente é humilhada, eles xingam, não obedecem, não acatam ordens. Registro ocorrências dentro do colégio, mas nesse ponto nunca tinha chegado”, afirmou.
Desde a agressão, a professora está afastada das atividades por cinco dias, conforme atestado médico. Apesar do episódio, ela afirmou que pretende retornar ao trabalho.
“Segunda-feira eu tenho que voltar para o meu trabalho e vou enfrentar de novo. É um risco que a gente corre todo dia”, lamentou.
Seed e NRE acompanham o caso
Em nota, o Núcleo Regional de Educação (NRE) de Londrina informou que as autoridades foram acionadas após a ocorrência e que a professora recebeu atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA).
A Secretaria de Estado da Educação (Seed) informou que profissionais das equipes multiprofissional e de educação especial do NRE estarão na escola na próxima semana para prestar apoio à comunidade escolar.
Ainda segundo a Seed, o estudante é público-alvo da educação especial e será acompanhado pelas equipes responsáveis. O NRE e a direção do colégio também devem dar continuidade aos encaminhamentos relacionados ao caso.
