Homem é preso no Paraná suspeito de usar fotos reais de crianças para criar conteúdo sexual com IA
Segundo a Polícia Federal, investigado utilizava fotografias reais como base para gerar imagens manipuladas; aparelhos eletrônicos foram apreendidos
Um homem foi preso pela Polícia Federal (PF) em Ibiporã, no Norte do Paraná, suspeito de utilizar inteligência artificial (IA) para produzir imagens de conteúdo sexual envolvendo crianças a partir de fotografias reais.
Segundo as investigações, o suspeito fornecia imagens à ferramenta de inteligência artificial e fazia solicitações específicas para que o material fosse manipulado. De acordo com o delegado da Polícia Federal Marcello Diniz Cordeiro, em alguns casos, fotografias reais de crianças e bebês eram utilizadas como base para a produção das imagens.
A descoberta ocorreu durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão. A operação tinha como objetivo recolher equipamentos eletrônicos que pudessem conter provas relacionadas aos crimes investigados.
Durante as buscas, os policiais localizaram material de exploração sexual infantil no celular do investigado. Diante da situação, ele foi preso em flagrante.
Além do celular, computadores e outros dispositivos eletrônicos foram apreendidos. Os equipamentos serão submetidos a perícia para identificar a origem dos arquivos, a eventual existência de outras vítimas e a extensão da atuação do suspeito.
PF investiga possível envolvimento em outros crimes
O homem não possuía antecedentes criminais. Após a prisão em flagrante, ele foi encaminhado à Delegacia da Polícia Federal e passou por audiência de custódia. A Justiça posteriormente decretou a prisão preventiva.
A investigação apura possíveis crimes relacionados ao armazenamento e ao compartilhamento de material de exploração sexual de crianças e adolescentes, previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e no Código Penal.
A Polícia Federal também verifica se o investigado pode ter cometido outros crimes utilizando recursos de inteligência artificial, além de investigar eventual participação em grupos ou contatos destinados à troca desse tipo de material.
Fotografias reais são analisadas pela investigação
Um dos principais pontos da apuração é identificar a origem das fotografias utilizadas como base para as manipulações.
A perícia dos equipamentos deverá ajudar os investigadores a descobrir de onde as imagens foram obtidas, se existem outras fotografias semelhantes armazenadas nos dispositivos e se é possível identificar alguma das crianças retratadas.
A PF também busca verificar se outras pessoas tiveram participação nos fatos ou se mantinham contato com o investigado para troca ou distribuição do material.
Defesa afirma que investigação ainda não foi concluída
O advogado Juan Fernandes, responsável pela defesa do investigado, afirmou que ainda não é possível estabelecer um juízo definitivo sobre a responsabilidade do cliente, uma vez que a investigação da Polícia Federal continua em andamento.
Segundo a defesa, o procedimento teve início com o cumprimento de um mandado de busca e apreensão destinado à coleta de equipamentos eletrônicos. O advogado afirmou ainda que pretende analisar todo o material reunido pela investigação antes de apresentar novas manifestações.
A Polícia Federal continua realizando a perícia dos dispositivos apreendidos. Os resultados poderão indicar a existência de outros crimes, novas vítimas ou eventual participação de terceiros.
