Cinco são presos por suspeita de tentar furtar carga de uísque avaliada em mais de R$ 1 milhão
Investigação aponta participação de funcionário, invasão de sistema, criação de perfil falso e uso de notas fiscais fraudulentas para retirar mercadoria de centro de distribuição
Cinco pessoas foram presas nesta quinta-feira (17) suspeitas de participar de um esquema que tentou furtar uma carga de uísque avaliada em mais de R$ 1 milhão de um centro de distribuição em Cambé, no Norte do Paraná.
A operação foi deflagrada pela Polícia Civil do Paraná (PCPR) e cumpriu cinco mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão em Londrina, Curitiba e Soledade, no Rio Grande do Sul.
Três suspeitos foram presos em Londrina, um em Curitiba e outro em Soledade. Entre os investigados estão um funcionário da rede varejista, três transportadores terceirizados e um empresário que mantinha relação comercial com a empresa.
Funcionário teria utilizado informações internas
A tentativa de furto ocorreu em 16 de dezembro de 2025, no centro de distribuição de uma grande rede de supermercados. Segundo a investigação, o grupo pretendia retirar uma carga de bebidas, principalmente uísque, avaliada em mais de R$ 1 milhão.
De acordo com a PCPR, um funcionário do setor de logística teria utilizado informações obtidas dentro da empresa para auxiliar na elaboração do plano. O suspeito teria conhecimento sobre os procedimentos de carregamento, sistemas internos e rotinas do centro de distribuição.
Segundo o delegado André Feltes, o funcionário teria atuado na articulação do esquema e identificado possíveis falhas nos mecanismos de segurança.
“Valendo-se de seu conhecimento aprofundado dos fluxos de trabalho, das rotinas de carregamento e dos sistemas corporativos internos, o funcionário atuou como idealizador e articulador do plano, atuando para neutralizar a vigilância da empresa”, explicou o delegado.
Grupo teria criado perfil falso e usado documentos fraudulentos
Para tentar dar aparência de legalidade à retirada da mercadoria, os investigados teriam utilizado diferentes estratégias.
Segundo a Polícia Civil, o grupo invadiu o e-mail corporativo de um gestor e conseguiu acesso a credenciais e códigos utilizados na autenticação em duas etapas.
Os suspeitos também teriam utilizado números de telefone registrados em nome de terceiros para criar, em um aplicativo de mensagens, um perfil falso atribuído a uma funcionária responsável pela liberação de cargas.
Por meio desse perfil, mensagens teriam sido enviadas aos funcionários do pátio com orientações para que a retirada da mercadoria parecesse uma autorização interna.
Além disso, a investigação aponta que o grupo preparou notas fiscais falsas, que foram apresentadas no centro de distribuição para tentar permitir a entrada e posterior saída de um caminhão contratado para transportar a carga.
“Esses cinco indivíduos, associados, elaboraram essa fraude visando subtrair essa carga utilizando-se de técnica de engenharia social, simulando funcionários, simulando que funcionários da rede estariam autorizando um carregamento excepcional em um horário não convencional”, afirmou Feltes.
Empresa identificou irregularidades antes da saída do caminhão
Apesar da preparação, a tentativa de furto não foi concluída.
O setor de prevenção da empresa identificou inconsistências na operação antes que o caminhão carregado deixasse o centro de distribuição. A partir das primeiras suspeitas, a Polícia Civil iniciou a investigação e passou a identificar os possíveis envolvidos.
Durante a operação desta quinta-feira, os policiais apreenderam celulares, computadores, mídias digitais, veículos e documentos que podem ter relação com o planejamento e a execução da tentativa de furto.
O material será analisado pela polícia e poderá ajudar a identificar outras pessoas que eventualmente tenham participado do esquema.
Segundo a PCPR, os cinco investigados deverão responder, conforme o avanço da apuração, pelos crimes de furto qualificado, invasão de dispositivo informático e associação criminosa.
