Homem faz ofensas racistas e xenofóbicas a funcionário de posto de combustível em Curitiba
Imagens foram gravadas por colega, que conta ter avisado o amigo para manter a calma pois o crime estava sendo filmado
Neste sábado (14), dois funcionários de um posto de gasolina de Curitiba (PR) registraram ocorrência contra um cliente que os ofenderam com palavras racistas e xenófobas. As cenas foram gravadas por um dos trabalhadores, e mostram o homem xingando o frentista de “macaco”, “neguinho” e “nordestino dos infernos”. A Polícia Civil disse que o autor foi identificado e o inquérito será instaurado. O deputado estadual Renato Freitas (PT) anunciou que a Comissão da Igualdade Racial da Assembleia Legislativa do Paraná acompanhará o caso.
O vídeo viralizou nas redes sociais no final de semana. A cena aconteceu na madrugada de sexta para sábado (14) e desde o primeiro momento as imagens já mostram o homem alterado, sendo agressivo com o frentista.
—Sou empresário, maluco. Tenho CNPJ, tenho empresa. Você vem me tirar, vem fazer cagada, vai lá abastecer a porra do carro lá. Você ganha 4 mil por essa bosta aqui, velho? Eu pago três vezes mais só para estar aqui te xingando de neguinho, seu otário, nordestino dos infernos — xinga o homem, identificado como Marcelo Francisco da Silva.
O frentista só reagiu, de forma contida, ao ser chamado de “cuzão”, com o agressor colocando as mãos sobre ele. Então ele retruca: “cuzão é você, cara” e tenta afastar o homem com os braços. Em seguida, o cliente reforça as ofensas racistas
— É neguinho, macaco
Ao perceber a filmagem, o homem debocha “filma essa bosta ” e diz que vai processar o posto. Aponta para o pote de macarrão instantâneo e diz que a briga aconteceu por causa dessa “bosta” que ele teve “que pagar”. E termina com mais uma ofensa xenófoba:
— Feito no Nordeste para querer ser gente aqui em Curitiba. Volta pro Nordeste, volta para comer gato.
Abalado, frentista não consegue falar sobre o caso
Na tarde de sábado, o frentista, Juan, e seu colega Lucas, que filmou a cena, registraram a ocorrência na delegacia. A imprensa local os aguardava na saída, mas Juan, muito abalado, mal conseguiu falar:
— Não posso falar muito, porque não estou muito bem para falar. Prefiro ficar em silêncio — respondeu Juan, que disse que nunca havia sofrido uma situação assim.
Já Lucas disse que o cliente já estava “enchendo o saco” há cerca de 10 minutos e ele captou somente os três minutos finais da confusão.
— (Filmei) porque não queria deixar meu colega desamparado. Eu vendo aquela situação, fiz sinal para ele ficar de boa, fazer nada, deixar ele falar. Mostrei que estava filmando.
O advogado da dupla, Igor José Ogar, afirmou que além da conduta de Racismo
e xenofobia, houve agressão física, no momento em que o homem vai para cima de Juan.
— Existem várias condutas criminais e em nenhum momento dão motivo para que fossem tão ofendidos, desonrados e agredidos por essa pessoa sem qualquer escrúpulo — explicou o advogado.
