Da Costa assume relatoria de processo que pode cassar vereador investigado por rachadinha em Curitiba
A Câmara Municipal de Curitiba definiu nesta segunda-feira (8) o vereador Da Costa (Podemos) como novo relator da comissão processante que apura denúncias contra o vereador Lórens Nogueira (PP), investigado por suposta prática de rachadinha. O processo pode resultar na cassação do mandato do parlamentar.
A mudança ocorreu após o plenário aprovar, por unanimidade, a declaração de suspeição apresentada pelo vereador Mauro Bobato (PP), que alegou motivos de segurança jurídica para deixar a comissão. Foram registrados 27 votos favoráveis ao pedido.
Com a saída de Bobato, a vereadora Meri Martins (Republicanos) foi sorteada para integrar o colegiado. A comissão passa a ser composta por Serginho do Posto (PSD), presidente; Da Costa (Podemos), relator; e Meri Martins (Republicanos), membro.
Processo apura suspeita de rachadinha
Lórens Nogueira é alvo de uma comissão processante instaurada após denúncia apresentada pela bancada do Novo. O caso teve origem na Operação Déjà-Vu, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná.
O vereador é investigado por supostamente receber parte dos salários de servidores comissionados do próprio gabinete. A denúncia foi aceita pelo plenário da Câmara no dia 1º de junho, por 35 votos favoráveis e apenas um contrário, registrado pelo próprio parlamentar.
Comissão terá até 90 dias para concluir trabalhos
A comissão processante será responsável pela fase de instrução do processo, incluindo notificação do acusado, análise de provas, realização de diligências, oitivas de testemunhas e elaboração do parecer final.
Segundo a Câmara Municipal, os trabalhos devem ser concluídos em até 90 dias após a notificação do vereador investigado. Ao final, uma eventual cassação dependerá de votação em plenário e do apoio de dois terços dos vereadores.
Quem é o novo relator
Da Costa, de 36 anos, está em seu primeiro mandato como vereador. Ele foi eleito em 2024 com 15.014 votos, sendo o terceiro mais votado da capital paranaense.
Conhecido nas redes sociais pelo projeto “Perdeu Piá”, o parlamentar ganhou notoriedade produzindo conteúdo sobre segurança pública e abordagens policiais. Ex-policial militar, atuou na corporação por sete anos antes de ingressar na política.
Entre os projetos apresentados na Câmara estão propostas relacionadas ao uso de biometria facial em sistemas de monitoramento urbano e à integração de câmeras de trânsito com plataformas de segurança pública.
Em março deste ano, a Polícia Civil instaurou um inquérito para investigar a participação do vereador em operações da Guarda Municipal no Centro de Curitiba, após solicitação do Ministério Público do Paraná.
Defesa nega irregularidades
Durante a sessão que aprovou a abertura do processo, Lórens Nogueira negou qualquer irregularidade e afirmou que esclarecerá às autoridades o conteúdo de um vídeo em que aparece recebendo R$ 5,6 mil em espécie.
O advogado do vereador, Jefferson Costa Vilela Pereira, pediu a reavaliação da admissibilidade da denúncia ou o adiamento da votação, alegando fragilidade das provas apresentadas e risco de nulidades processuais.
