Delegado aponta indícios de premeditação em feminicídio de jovem morta com 44 facadas

 Delegado aponta indícios de premeditação em feminicídio de jovem morta com 44 facadas

Polícia investiga possível perseguição e afirma que suspeito conhecia o local onde Thaissa Gabriely trabalhava

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) investiga se o feminicídio de Thaissa Gabriely de Oliveira Marques, de 21 anos, foi premeditado e se a jovem vinha sendo perseguida antes do crime, em Londrina, no Norte do Paraná.

Thaissa foi morta com 44 facadas na tarde de sexta-feira (11), enquanto trabalhava na divulgação de uma nova unidade de academia na Avenida Celso Garcia Cid, na zona leste da cidade. O suspeito, também de 21 anos, foi preso e teve a prisão em flagrante convertida em preventiva.

Segundo o delegado Magno Miranda, elementos reunidos durante a investigação indicam que o suspeito já conhecia o local onde a vítima trabalhava. Ele teria procurado a academia dias antes do crime para tentar conseguir uma vaga de emprego.

Suspeito tentou emprego na academia onde vítima trabalhava

De acordo com o delegado, o gerente da academia contou à polícia que já conhecia o investigado. O homem teria procurado o estabelecimento dias antes do feminicídio em busca de trabalho.

Ele foi orientado a participar do processo seletivo pela plataforma de recrutamento, cadastrou o currículo e participou de uma entrevista, mas não foi selecionado para a vaga.

A Polícia Civil também apura se o comportamento do suspeito antes do crime poderia caracterizar uma possível perseguição à vítima. Thaissa teria relatado a uma amiga preocupação com a insistência do homem em relação à vaga de emprego. A testemunha ainda deverá ser ouvida pela Delegacia da Mulher.

Polícia aponta indícios de premeditação

Durante o interrogatório, o investigado afirmou que costumava frequentar uma academia localizada próxima ao endereço onde ocorreu o crime. Ele também admitiu que, no dia do feminicídio, esteve no local, voltou para casa, trocou de roupa e depois retornou para procurar Thaissa.

Para o delegado Magno Miranda, a sequência dos acontecimentos levanta a possibilidade de que o crime tenha sido planejado.

“Toda a dinâmica leva a crer que ele agiu de forma premeditada, porque ele conhecia o local, treinava na academia à frente, foi para casa, trocou de roupa e voltou no local do crime”, afirmou o delegado.

Apesar disso, durante o interrogatório formal, o suspeito apresentou outra versão. Segundo a Polícia Civil, ele confirmou que esteve no local e que havia ido procurar Thaissa, mas afirmou ter sofrido um “lapso de memória” e disse não se lembrar do ataque.

Ainda conforme o delegado, durante a abordagem policial, o homem teria relatado detalhes do crime. Essas declarações foram registradas pelos agentes e fizeram parte dos elementos considerados para a prisão em flagrante.

Perícia pode ajudar a esclarecer dinâmica do crime

A investigação busca reunir outras provas que não dependam exclusivamente dos depoimentos do suspeito.

Entre as medidas está uma análise pericial do material coletado sob as unhas da vítima. O exame poderá verificar a presença de material genético do investigado e auxiliar na reconstrução da dinâmica do ataque.

Outras testemunhas também devem ser ouvidas pela Polícia Civil ao longo da investigação.

Academia ainda não se manifestou sobre a morte

Thaissa estava trabalhando na divulgação da nova unidade de uma franquia de academias quando foi atacada. O crime ocorreu no estacionamento do estabelecimento.

Segundo as informações iniciais, a jovem teria sido abordada pelo suspeito, que teria pedido informações sobre a academia. Na sequência, conforme a investigação, ele teria tentado estuprá-la. A vítima teria reagido e acabou sendo atacada.

Até esta segunda-feira (14), três dias após o crime, a rede de academias ainda não havia divulgado uma manifestação pública sobre a morte da funcionária.

Defesa afirma que investigado tem diagnóstico de TEA

Em nota, a defesa do investigado informou que ele possui diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) e pediu que a condição seja considerada individualmente durante o andamento do processo.

O advogado ressaltou que o diagnóstico não é apresentado como justificativa para o crime nem como uma relação entre autismo e violência. A defesa solicita que as condições pessoais e comportamentais do investigado sejam avaliadas tecnicamente e que ele receba assistência compatível com o diagnóstico enquanto estiver sob custódia.

As circunstâncias do feminicídio continuam sendo investigadas pela Polícia Civil.

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