Governo Lula critica família Bolsonaro após ação dos EUA contra PCC e CV e diz que soberania “é inegociável”
O Governo Federal elevou o tom nesta sexta-feira (29) após os Estados Unidos classificarem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Em nota oficial, o Palácio do Planalto afirmou que o Brasil não aceitará interferências externas na condução do combate ao crime organizado e declarou que a soberania nacional “é inegociável”.
O comunicado também trouxe críticas diretas a integrantes da família Bolsonaro, acusados pelo governo de buscar apoio estrangeiro para pressionar instituições brasileiras. Segundo a nota, “a segurança da população não pode ser manipulada politicamente por traidores e falsos patriotas”.
De acordo com o governo brasileiro, apesar de as facções criminosas espalharem terror em diversas regiões do país, a atuação desses grupos tem motivação financeira ligada ao tráfico de drogas e armas, diferentemente de organizações terroristas internacionais motivadas por razões ideológicas, políticas ou religiosas.
“A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança”, diz trecho da nota oficial.
O Planalto também destacou que o Brasil mantém cooperação histórica com diversos países no enfrentamento ao crime organizado, inclusive com os Estados Unidos. Segundo o governo, uma proposta foi apresentada ao Departamento de Estado norte-americano em abril deste ano para ampliar ações de inteligência, combate à lavagem de dinheiro e controle do tráfico internacional de armas.
Na nota, o governo Lula ainda classificou como “deplorável” a viagem de integrantes da família Bolsonaro aos Estados Unidos em busca de apoio político internacional. O texto afirma que medidas unilaterais adotadas por outros países podem prejudicar investigações, reduzir o compartilhamento de informações entre forças policiais e gerar impactos econômicos no Brasil.
O comunicado também menciona preocupação com possíveis reflexos sobre o sistema financeiro brasileiro e cita o PIX como uma inovação nacional que, segundo o governo, “incomoda interesses estrangeiros”.
Eduardo Bolsonaro afirma que “há mais por vir”
Também nesta sexta-feira (29), o ex-deputado Eduardo Bolsonaro comentou os encontros realizados nos Estados Unidos com o presidente Donald Trump, o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio.
Em entrevista ao portal Metrópoles, Eduardo afirmou que novas medidas contra o Brasil podem ser anunciadas pelo governo norte-americano.
“Quando o bandido chora, a população trabalhadora se alegra. Sinto a sensação de dever cumprido. Mérito do Flávio que foi determinado defender esta declaração. E creio que ainda há mais por vir ao aproximar Brasil de EUA”, declarou.
Aliados de Bolsonaro pediram sanções contra Alexandre de Moraes
As reuniões em Washington também contaram com a presença do jornalista Paulo Figueiredo. Segundo ele, um dos pedidos apresentados ao governo americano foi a retomada da Lei Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
Figueiredo afirmou que a solicitação foi feita por ele e por Eduardo Bolsonaro. “O Flávio não quis se envolver nessa questão, preferiu se preservar”, disse.
Ainda segundo o jornalista, os aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro argumentaram ao governo dos EUA que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não teria correspondido a gestos anteriores do governo americano e que o petista faz críticas frequentes a Donald Trump.
