Lula diz ter pedido a Trump extradição de brasileiros investigados que vivem nos EUA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta terça-feira (12), que pediu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a entrega de brasileiros envolvidos com o crime organizado que atualmente vivem em Miami.
A declaração foi feita durante o lançamento do programa Brasil contra o Crime Organizado. Segundo Lula, o tema foi abordado em um encontro realizado entre os dois líderes na semana passada.
“Se você quiser combater o crime organizado de verdade, tem que começar a entregar alguns brasileiros que estão morando em Miami”, afirmou o presidente.
Lula também destacou a necessidade de cooperação internacional no combate às facções criminosas e à lavagem de dinheiro. O presidente citou ainda que parte das armas apreendidas no Brasil teria origem nos Estados Unidos.
Durante o discurso, o petista afirmou que o governo norte-americano poderá colaborar com ações de combate ao crime organizado, desde que respeitando as decisões das autoridades brasileiras.
Apesar das declarações, Lula não citou nomes de brasileiros que estariam vivendo nos Estados Unidos.
Programa prevê reforço no sistema prisional
O programa Brasil contra o Crime Organizado prevê uma série de medidas voltadas ao enfrentamento das facções criminosas, com foco no fortalecimento do sistema prisional, combate à lavagem de dinheiro, tráfico de armas e ampliação das investigações de homicídios.
Entre as principais ações anunciadas está a ampliação do padrão de segurança das penitenciárias federais para presídios estaduais considerados estratégicos. O objetivo é impedir que líderes criminosos continuem comandando ações de dentro das unidades prisionais.
Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, 138 presídios em todo o país foram mapeados para receber investimentos e novos equipamentos, como drones, scanners corporais, detectores de metais, bloqueadores de celulares, aparelhos de raio X, georradares, sistemas de áudio e vídeo e viaturas.
O ministro da Justiça afirmou que cerca de 19% da população carcerária e aproximadamente 80% das lideranças de facções criminosas estão concentradas nessas unidades.
Medidas contra lavagem de dinheiro e tráfico de armas
O programa também prevê a criação de estruturas voltadas ao combate financeiro das organizações criminosas, incluindo o fortalecimento das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado e a ampliação de mecanismos de rastreamento e bloqueio de bens.
Além disso, o governo anunciou medidas para reforçar o enfrentamento ao tráfico de armas e ampliar a capacidade de investigação criminal nos estados, com investimentos em perícia, identificação genética e análise balística.
As ações deverão ser implementadas ao longo dos próximos meses pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.
