Lula ironiza críticas à Lei Rouanet e cita caso envolvendo Flávio Bolsonaro e Banco Master
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender a Lei Rouanet e criticou ataques ao setor cultural durante discurso realizado nesta quinta-feira (21), em Aracruz, no Espírito Santo, durante a 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura.
Sem citar diretamente o senador Flávio Bolsonaro, Lula ironizou o financiamento do filme Dark Horse, produção que retrata a ascensão do ex-presidente Jair Bolsonaro à Presidência da República e que teria recebido recursos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
“Nós nunca vamos atrás da ‘Lei Daniel Vorcaro’ para financiar nenhum artista brasileiro. E ainda vai aparecer muito mais coisa”, afirmou o presidente durante o evento.
Ao defender artistas que utilizam incentivos culturais, Lula criticou os ataques sofridos pelo setor ao longo dos últimos anos.
“Todo mundo era muito criticado, todo mundo era achincalhado. Aliás, a cultura como um todo era achincalhada”, declarou.
A Lei Rouanet permite que empresas e pessoas físicas destinem parte do Imposto de Renda a projetos culturais aprovados pelo Ministério da Cultura.
Durante o discurso, Lula também comentou sobre denúncias envolvendo o suposto repasse de recursos privados para o financiamento do filme Dark Horse.Mensagens atribuídas a Flávio Bolsonaro mostram pedidos de apoio financeiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do longa.
Sem mencionar o senador nominalmente, o presidente afirmou que “ninguém imaginava que aquele menino que parecia ser o mais santo da família Bolsonaro estaria pegando milhões para fazer um filme do pai”.
Flávio Bolsonaro afirmou que as conversas tratavam de patrocínio privado ao filme e negou qualquer promessa de vantagem ao empresário. O senador também confirmou recentemente que se encontrou pessoalmente com Vorcaro após a saída do banqueiro da prisão, em novembro do ano passado.
Ainda durante o evento, Lula voltou a criticar o uso da inteligência artificial em campanhas políticas e alertou para os riscos da disseminação de desinformação.
“A inteligência artificial não poderia servir para política”, afirmou o presidente.
Lula também declarou que não é contra a internet, mas demonstrou preocupação com o avanço dos algoritmos sobre o comportamento humano.
“O ser humano está perdendo o controle dos algoritmos e está virando algoritmo”, disse.
