Mulher presa por falsa identidade é suspeita de aplicar golpes com história de câncer terminal em Curitiba
A mulher de 37 anos presa em Joinville, Santa Catarina, por se passar por uma adolescente de 12 anos também é suspeita de aplicar golpes em Curitiba e na Região Metropolitana. Segundo relatos de vítimas, ela utilizava identidades falsas e inventava histórias envolvendo doenças graves e tragédias familiares para conquistar a confiança de pessoas e obter ajuda financeira.
O caso ganhou repercussão nacional após a descoberta de que a suspeita viveu por cerca de 14 meses com uma família catarinense, apresentando-se como uma adolescente em situação de vulnerabilidade.
Falsa paciente teria arrecadado doações durante a pandemia
Em Curitiba, a mulher teria utilizado o nome fictício “Emily” e se apresentado como uma adolescente de 13 anos diagnosticada com leucemia.
De acordo com vítimas, a aproximação ocorreu durante a pandemia da Covid-19, em um grupo virtual de oração criado para apoiar pessoas enfermas e seus familiares.
Inicialmente, uma suposta mãe participou das reuniões pedindo orações para a filha. Pouco tempo depois, a própria “Emily” passou a interagir com os integrantes do grupo, relatando tratamentos médicos, internações e dificuldades decorrentes da doença.
Com o passar do tempo, as histórias se tornaram mais dramáticas, envolvendo supostas mortes de familiares, abandono e outras situações que sensibilizaram os participantes.
Pedidos de dinheiro despertaram suspeitas
Segundo os relatos, a falsa adolescente e familiares fictícios passaram a solicitar ajuda financeira para custear exames, medicamentos e tratamentos médicos.
As doações eram realizadas por meio de transferências bancárias e chaves Pix informadas aos integrantes do grupo.
As suspeitas surgiram quando membros da comunidade tentaram confirmar algumas das informações fornecidas. Em contato com a unidade hospitalar onde a adolescente afirmava estar internada, receberam a informação de que não havia nenhuma paciente com aquele nome em tratamento.
Além disso, inconsistências nas versões apresentadas começaram a chamar a atenção das vítimas.
Fraude causou forte impacto emocional
De acordo com os relatos, a mulher interpretava diferentes personagens para reforçar a história, alternando-se entre os papéis de mãe, pai, avó e da própria adolescente.
O envolvimento emocional foi tão grande que uma das vítimas chegou a tatuar o nome da suposta paciente em homenagem à jovem que acreditava estar enfrentando uma doença grave.
Após a descoberta da fraude, a tatuagem foi coberta.
Investigações podem ser reabertas no Paraná
Segundo representantes de algumas vítimas, um inquérito foi instaurado em 2022 para apurar denúncias registradas em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba. A investigação, porém, acabou arquivada por falta de identificação da autora.
Com a prisão da suspeita em Santa Catarina, a Polícia Civil do Paraná informou que poderá convocar vítimas para reconhecimento formal, medida que pode resultar na retomada das investigações.
Mulher foi indiciada em Santa Catarina
A suspeita foi presa no dia 2 de junho, em Joinville, após uma família descobrir que a adolescente acolhida em casa era, na verdade, uma mulher adulta.
Segundo a Polícia Civil de Santa Catarina, ela utilizava histórias falsas para sensibilizar pessoas e obter apoio financeiro e material. Durante o período em que viveu com a família, recebeu moradia, alimentação, roupas e atendimento médico.
A mulher foi indiciada pelos crimes de estelionato e falsa identidade. O processo está temporariamente suspenso enquanto é realizada uma avaliação sobre sua capacidade mental.
As autoridades também investigam possíveis ocorrências semelhantes envolvendo a suspeita em outros estados brasileiros.
