Polícia conclui que mulher que atirou em ex-lutador em Curitiba agiu em legítima defesa
A Polícia Civil do Paraná concluiu que a mulher que atirou contra o marido, um ex-lutador que trabalhava como caminhoneiro, agiu em legítima defesa durante uma ocorrência de violência doméstica em Curitiba. O homem foi indiciado pelos crimes de lesão corporal e violência doméstica.
Segundo a investigação, a mulher relatava há meses sofrer agressões físicas e ameaças de morte por parte do companheiro. Mesmo após a concessão de medida protetiva, o suspeito teria retornado ao imóvel do casal e tentado retirar câmeras de segurança da residência. A vítima deixou Curitiba após o episódio.
De acordo com o inquérito, a discussão que terminou com o disparo começou após a mulher retornar para casa depois de acompanhar um desfile da filha. Conforme o depoimento prestado à polícia, o homem teria chegado agressivo, chutando o portão da residência e proferindo xingamentos contra familiares.
A vítima afirmou que foi agredida fisicamente pelo marido durante a confusão. Segundo o relato, ela foi jogada no chão, arrastada pelos cabelos e sofreu ferimentos no rosto e nos braços.
“Me catou pelos braços, me jogou no chão. Quando eu caí, ele pegou meu cabelo e me arrastou”, contou à polícia.
O homem foi atingido por um disparo na região da barriga e socorrido em estado grave. Inicialmente, ele negou as agressões e alegou que a mulher teria se machucado sozinha após cair por estar alcoolizada e usando salto alto. No entanto, as investigações apontaram outra dinâmica para o caso.
Segundo a Polícia Civil, perícias e fotografias anexadas ao inquérito identificaram marcas compatíveis com agressões físicas e indícios de que a mulher foi arrastada dentro da residência. O portão da casa também apresentava sinais de violência.
A investigação concluiu que o disparo ocorreu quando o homem tentou avançar novamente contra a vítima. Outro ponto considerado importante pela polícia foi o estado da arma utilizada. O suspeito havia afirmado que a mulher só não efetuou novos disparos porque a pistola teria falhado, porém a perícia constatou que a arma funcionava normalmente e permanecia com 12 munições intactas.
O depoimento do filho do casal, de apenas 9 anos, também foi considerado decisivo para o encerramento do inquérito. A criança confirmou à polícia que presenciou as agressões na noite do caso.
“Meu pai pegou minha mãe pelo cabelo e empurrou ela bem forte. Acho que minha mãe pegou a arma porque ficou com medo dele”, relatou o menino em depoimento.
A mulher afirmou ainda que sofria ameaças constantes do marido e relatou sentir falta de apoio após o caso.
“Agora está saindo toda a verdade que eu sempre falei”, declarou.
Com a conclusão das investigações, a Polícia Civil entendeu que a vítima agiu para impedir uma agressão ainda mais grave e preservar a própria vida.
