Vereador Lórens Nogueira afirma que vídeo recebendo R$ 5,6 mil em espécie mostra situação “normal”
O vereador de Curitiba Lórens Nogueira (PP) afirmou nesta segunda-feira (1º), durante sessão na Câmara Municipal, que o vídeo em que aparece recebendo R$ 5,6 mil em dinheiro vivo retrata uma situação “absolutamente normal” e negou qualquer irregularidade.
O parlamentar é investigado pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) por suspeitas de rachadinha e peculato. A apuração é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), responsável pela Operação Déjà-vu, deflagrada no último dia 26.
Durante pronunciamento na tribuna, Lórens afirmou que as imagens mostram apenas uma transação financeira entre pessoas que mantêm uma relação de confiança há anos.
“Entendo que numa primeira leitura causa estranheza, é natural. As imagens mostram uma transação financeira entre pessoas que se conhecem e mantêm relação de confiança há muitos anos. Esse tipo de situação é absolutamente normal e não configura ilícito”, declarou.
O vereador disse que os esclarecimentos sobre o caso serão apresentados às autoridades responsáveis pela investigação e afirmou que optou por permanecer em silêncio nos últimos dias para preservar familiares e integrantes de sua equipe.
Segundo o parlamentar, o caso também passou a ser explorado politicamente por adversários em ano eleitoral.
Operação apreendeu mais de R$ 118 mil em dinheiro
De acordo com o Gaeco, a operação resultou na apreensão de aproximadamente R$ 118 mil em espécie em endereços ligados ao vereador, assessores e familiares.
A maior quantia, segundo os investigadores, foi encontrada no quarto de Lórens Nogueira, onde foram localizados R$ 70 mil em dinheiro vivo. Na mesma residência, uma mochila de uso diário continha dois envelopes com R$ 13.526 e R$ 8.130.
As diligências também alcançaram pessoas próximas ao parlamentar. Em um veículo utilizado por um assessor foram encontrados R$ 3 mil em espécie. Já na residência dos sogros do vereador, foram apreendidos R$ 15,5 mil. Outro endereço ligado a uma assessora resultou na apreensão de mais R$ 8 mil.
Vereador deixa presidência do Conselho de Ética
Em meio às investigações, Lórens Nogueira solicitou afastamento da presidência do Conselho de Ética da Câmara Municipal de Curitiba. A função passou a ser exercida pelo vereador Hernani.
A Justiça também analisou um pedido de prisão contra o parlamentar, mas a solicitação foi negada.
As investigações seguem em andamento para apurar as suspeitas de rachadinha, prática em que servidores ou assessores devolvem parte dos salários a agentes públicos, além de possíveis irregularidades relacionadas ao uso de recursos públicos.
