Sogra envenenou professora por 15 dias antes de dose fatal, diz denúncia do MP-SP
Ribeirão Preto (SP), 1º de julho de 2025 – O crime que chocou Ribeirão Preto ganha novos e perturbadores desdobramentos. O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou o médico Luiz Antônio Garnica e sua mãe, Elizabete Arrabaça, por homicídio triplamente qualificado contra a professora de pilates Larissa Rodrigues Garnica, esposa do acusado.
De acordo com as investigações, Larissa foi envenenada por cerca de 15 dias consecutivos com pequenas doses da substância tóxica conhecida como chumbinho, até receber uma dose fatal que causou sua morte, no dia 22 de março deste ano. O plano teria sido arquitetado por Luiz Antônio, com execução direta de Elizabete, que servia alimentos contaminados à nora.
Segundo o promotor de Justiça Marcus Túlio Nicolino, que apresentou a denúncia nesta terça-feira (1), mãe e filho agiram de forma fria, cruel e dissimulada, sem dar qualquer chance de defesa à vítima. As motivações seriam patrimoniais e emocionais: Larissa havia descoberto uma traição do marido e pedido a separação.

Detalhes do crime
O corpo de Larissa foi encontrado já em rigidez cadavérica por Luiz Antônio, no apartamento do casal, no bairro Jardim Botânico, zona sul da cidade. A polícia suspeitou da versão apresentada pelo médico desde o início. Ele teria tentado limpar a cena do crime, o que foi interpretado como tentativa de ocultação de provas.
Mensagens trocadas por Luiz com a amante no mesmo dia da morte de Larissa reforçaram as suspeitas de envolvimento. Testemunhas também relataram que a sogra da vítima procurava por chumbinho dias antes do crime — substância que é altamente tóxica e proibida no Brasil para uso doméstico.
O depoimento inicial de Elizabete também foi considerado incoerente. Ela afirmou ter sido chamada por Larissa para conversar na véspera da morte, alegando que ambas haviam perdido entes queridos recentemente. A investigação, porém, descartou que esse encontro tenha ocorrido, o que comprometeu ainda mais a versão da sogra.
Prisão e andamento das investigações
Luiz Antônio Garnica e Elizabete Arrabaça foram presos preventivamente em 6 de maio. Durante as buscas, celulares e dispositivos eletrônicos foram apreendidos e estão sendo analisados para aprofundar a apuração.
Além disso, segundo o advogado da família da vítima, Matheus Fernando da Silva, a conta bancária de Larissa foi movimentada após sua morte, o que pode configurar tentativa de apropriação indevida de bens.
A denúncia apresentada pelo MP-SP classifica o crime como homicídio triplamente qualificado, com agravantes por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.
O caso segue sendo investigado, e a Justiça irá decidir se aceita a denúncia e leva os acusados a julgamento pelo Tribunal do Júri.

Imagens: CNN
