Ex-deputado e ginecologista de 81 anos é investigado por suspeita de abusos durante atendimentos médicos no Paraná

 Ex-deputado e ginecologista de 81 anos é investigado por suspeita de abusos durante atendimentos médicos no Paraná

O médico ginecologista Felipe Lucas, de 81 anos, ex-deputado estadual, ex-prefeito e ex-vereador de Irati, nos Campos Gerais do Paraná, é investigado por suspeita de abuso sexual contra pacientes durante consultas e procedimentos médicos. Ele chegou a ser preso preventivamente em Curitiba na última quarta-feira (6), mas foi solto no dia seguinte após decisão judicial.

De acordo com a Polícia Civil do Paraná (PCPR), ao menos quatro mulheres registraram boletins de ocorrência relatando supostos abusos ocorridos durante atendimentos ginecológicos, consultas de pré-natal e procedimentos relacionados ao parto. Em um dos casos, uma paciente afirma ter sido vítima de abuso enquanto estava em trabalho de parto, no município de Teixeira Soares, na região central do estado.

Segundo o delegado responsável pela investigação, Rafael Nunes Mota, a vítima procurou a polícia e relatou o episódio.

“Ela relatou um suposto abuso que teria sofrido por esse médico ginecologista e que teria durado aproximadamente cinco minutos quando estava entrando em trabalho de parto”, disse o delegado.

A investigação aponta ainda que, durante o procedimento, a paciente teria sido posicionada de forma a dificultar qualquer reação.

Prisão revogada após prescrição

Apesar da prisão preventiva, a Justiça determinou a soltura do médico após reconhecer a prescrição de um dos casos investigados, referente a um fato ocorrido em 2011.

Conforme o Código Penal, crimes dessa natureza podem prescrever em 20 anos. No entanto, como o investigado tem mais de 70 anos, esse prazo é reduzido pela metade. No entendimento judicial, o tempo transcorrido inviabiliza a responsabilização criminal neste caso específico.

A defesa do médico nega as acusações e afirma que a prisão foi ilegal e desnecessária.

Outras investigações seguem em andamento

Mesmo em liberdade, Felipe Lucas continua sendo investigado em outros procedimentos. Um deles envolve uma denúncia de violação sexual mediante fraude, feita por uma paciente de 24 anos atendida em fevereiro de 2024.

De acordo com o relato da jovem à polícia, o médico teria realizado “massagens íntimas” sem indicação clínica durante a consulta e atendido ligações telefônicas pessoais enquanto ela estava despida no consultório.

A Polícia Civil afirma ainda que os depoimentos colhidos indicam um possível padrão de conduta ao longo de décadas. Algumas vítimas relataram ter demorado a denunciar por medo, em razão da influência política e social do médico na região.

O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) informou que instaurou sindicância para apurar as denúncias. A Polícia Civil também solicitou o afastamento do profissional de funções públicas e a suspensão do exercício da medicina.

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