Lula chama Flávio Bolsonaro de “traidor da pátria” após articulação nos EUA contra o Brasil

 Lula chama Flávio Bolsonaro de “traidor da pátria” após articulação nos EUA contra o Brasil

FILE PHOTO: Brazil’s President Luiz Inacio Lula da Silva gestures during a ministerial meeting to celebrate the first 100 days of his government at the Planalto Palace in Brasilia, Brazil, April 10, 2023. REUTERS/Ueslei Marcelino

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou duramente o senador Flávio Bolsonaro (PL) nesta sexta-feira (29), ao comentar a viagem de integrantes da família Bolsonaro aos Estados Unidos e a decisão do governo norte-americano de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

Durante discurso em um evento da Petrobras, em Laranjeiras, no Sergipe, Lula acusou Flávio Bolsonaro de buscar apoio estrangeiro para interferir em assuntos internos do Brasil e o chamou de “traidor da pátria”.

“[Flávio Bolsonaro] não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria. Joaquim Silvério dos Reis ficaria envergonhado se soubesse que tem um candidato à Presidência que vai aos Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil”, afirmou o presidente.

Lula também declarou que o Brasil não aceitará ser tratado “como moleques ou uma republiqueta” pelos Estados Unidos e defendeu a soberania nacional diante das recentes movimentações diplomáticas envolvendo o combate ao crime organizado.

“Quer combater o crime organizado? Entregue os nossos que estão lá nos Estados Unidos. Nós não aceitamos ser tratados como moleques, como se fosse uma republiqueta”, disse.

Durante o discurso, o presidente fez referência ao empresário Ricardo Magro, dono da Refit e apontado como um dos maiores devedores de impostos do país, além do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL), citado por Lula ao comentar brasileiros que atualmente vivem nos Estados Unidos.

O presidente também afirmou que as facções criminosas praticam terror em comunidades brasileiras, mas reforçou que o combate ao PCC e ao CV será realizado pelas instituições brasileiras, sem interferência externa.

Lula aproveitou o discurso para defender a Lei Antifacção recentemente aprovada e pediu apoio à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública em tramitação no Congresso Nacional.

Ao comentar a atuação do ex-presidente Donald Trump e de aliados bolsonaristas nos Estados Unidos, Lula afirmou ainda que o governo norte-americano não pode “brincar com a soberania e a democracia brasileira”.

As declarações acontecem em meio ao aumento da tensão política entre aliados do governo Lula e integrantes da família Bolsonaro, que têm intensificado agendas e reuniões com autoridades norte-americanas nos últimos dias.

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