Esposa, filha e amante são indiciados pela morte de idoso de 77 anos
Segundo a Polícia Civil, crime teria sido planejado e os envolvidos tentaram simular um latrocínio; investigação aponta possível motivação financeira
A Polícia Civil do Paraná (PCPR) concluiu a investigação sobre a morte de um idoso de 77 anos em Bandeirantes, no Norte do Paraná, e indiciou três pessoas pelo crime. Entre os investigados estão a esposa da vítima, a filha e o amante da mulher.
De acordo com a investigação, o homicídio teria sido planejado previamente e, após a execução, os envolvidos teriam tentado criar uma versão para fazer o crime parecer um latrocínio, roubo seguido de morte.
O inquérito foi encaminhado à Justiça nesta segunda-feira (31). Os indiciados têm 25, 39 e 52 anos. Segundo a PCPR, os três foram responsabilizados por homicídio triplamente qualificado.
O homem, de 39 anos, também foi indiciado por porte ilegal de arma de fogo. Já a mulher, de 52 anos, deverá responder ainda por falsa comunicação de crime e posse ilegal de arma de fogo.
Crime teria sido planejado pela esposa e pelo amante
No início das investigações, a morte do idoso era tratada como um possível latrocínio. No entanto, os policiais encontraram contradições na versão apresentada pela esposa da vítima e passaram a investigar a possibilidade de que o homicídio tivesse sido planejado.
Conforme a PCPR, a mulher teria combinado a morte do marido com o amante, enquanto a filha teria conhecimento do plano.
A investigação aponta que o homem foi até a residência do idoso no dia do crime e recebeu da própria esposa o revólver que pertencia à vítima.
O idoso, que era acamado, foi morto a tiros dentro da própria residência. Segundo a polícia, o amante teria efetuado os disparos.
Depois do homicídio, o suspeito teria levado o veículo da vítima e deixado o local com a arma. Para os investigadores, a retirada do carro teria sido uma tentativa de criar indícios de que o idoso havia sido morto durante um assalto.
A hipótese, porém, começou a perder força durante a investigação. De acordo com a PCPR, a residência estava organizada e não apresentava sinais de que alguém tivesse vasculhado o imóvel em busca de dinheiro ou objetos de valor.
Além disso, os investigadores analisaram os celulares dos envolvidos e encontraram mensagens apagadas que ajudaram a estabelecer a ligação entre a esposa, a filha e o amante.
Carro da vítima é encontrado em área de matagal
Durante as diligências, a Polícia Militar recebeu informações de que o carro do idoso havia sido abandonado em uma área de matagal.
O local foi isolado para a realização da perícia, e o veículo foi posteriormente recolhido.
As investigações também levaram os policiais até um homem que trabalhava em um ferro-velho. Um celular foi apreendido durante a abordagem. Segundo a PCPR, o suspeito afirmou que apenas havia levado o veículo até o estabelecimento.
Ele foi preso e encaminhado à Central de Flagrantes.
Filha teria conhecimento do plano
A participação da filha também foi identificada durante a investigação. Em depoimento, segundo a polícia, a jovem afirmou que sabia antecipadamente que a mãe e o amante planejavam matar o idoso.
Ela negou participação direta na execução, mas admitiu que tinha conhecimento do plano.
Ainda conforme o relato apresentado à polícia, a mãe teria pedido para que a filha permanecesse em Londrina na noite do crime, para evitar que ela estivesse na residência durante a execução.
Polícia investiga possível motivação financeira
A investigação também levantou a hipótese de que o crime teria relação com uma possível motivação financeira.
Segundo as informações reunidas durante o caso, a polícia analisou movimentações relacionadas a duas contas bancárias da vítima, que somariam aproximadamente R$ 6 milhões.
A esposa também teria relatado aos investigadores que entregou ao amante o revólver pertencente ao marido.
A PCPR aponta que a preparação para o crime teria começado cerca de um mês antes da execução. O relacionamento extraconjugal entre a mulher e o homem investigado, por outro lado, já duraria aproximadamente três anos.
Investigação aponta tentativa de simular latrocínio
Para a Polícia Civil, a retirada do veículo e o desaparecimento da arma foram elementos utilizados para tentar sustentar a versão de que o idoso teria sido vítima de um assalto.
Durante a apuração, o homem indiciado admitiu ter retirado o carro e ocultado o revólver, mas inicialmente negou ter entrado na residência ou efetuado os disparos.
Com a conclusão do inquérito, o caso foi encaminhado ao Poder Judiciário. O Ministério Público deverá analisar as provas reunidas pela Polícia Civil e avaliar as medidas cabíveis.
Os três investigados foram indiciados por homicídio triplamente qualificado.
