Cartazes com acusações contra Raquel Lyra provocam reação no meio político
Material apócrifo faz acusações sobre a morte do marido da governadora e é condenado por políticos de diferentes grupos
A circulação de cartazes apócrifos com ataques pessoais à governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), provocou reação de políticos de diferentes grupos nesta segunda-feira (31). Candidata à reeleição, Raquel foi alvo de peças que fazem referências à morte do marido, Fernando Lucena, e a associam a figuras como Flordelis e Elize Matsunaga.
Os materiais passaram a circular nas redes sociais e também foram vistos nas ruas do Centro do Recife. Em uma das peças, uma fotografia de Raquel ao lado do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) aparece acompanhada da expressão “chapa anti-Lula”.
Outro cartaz faz referência à morte de Fernando Lucena e atribui, sem apresentar qualquer prova, a responsabilidade pela morte à governadora, afirmando que ela teria cometido o crime para favorecer sua campanha eleitoral.
Fernando Lucena morreu em 2 de outubro de 2022, durante o primeiro turno das eleições daquele ano, após sofrer um infarto.
Uma terceira peça associa Raquel Lyra às ex-presidiárias Flordelis e Elize Matsunaga, em mais um ataque de caráter pessoal.
Raquel Lyra critica ataques
A governadora afirmou que tomou conhecimento dos cartazes pelas redes sociais enquanto se preparava para uma agenda de campanha na Zona da Mata Sul de Pernambuco.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, Raquel criticou o conteúdo e pediu respeito à família.
“Pude ver de perto a crueldade de quem não tem limites. Respeite a minha família. Respeite meus filhos. Respeite a minha dor”, afirmou.
A governadora também declarou que os ataques, que inicialmente teriam circulado nas redes sociais, chegaram às ruas do Recife.
“Os ataques de ódio, que começaram nas redes sociais, agora ganharam as ruas do Centro do Recife. Vamos seguir em frente. Sem medo e sem baixar a cabeça.”
João Campos condena material e anuncia medidas judiciais
Principal adversário de Raquel Lyra na disputa pelo Governo de Pernambuco, o ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), também condenou a divulgação dos cartazes.
O candidato afirmou que qualquer tentativa de relacionar sua campanha à produção ou distribuição do material terá consequências e anunciou que pretende recorrer à Justiça para que o caso seja investigado.
João Campos também citou a própria experiência familiar. Seu pai, o ex-governador Eduardo Campos, morreu em um acidente aéreo durante a campanha presidencial de 2014.
“Perdi meu pai durante uma eleição, a candidata Raquel perdeu o marido durante a eleição. Não admito que nenhuma família seja atacada. Isso está fora da política. É um absurdo. Estou entrando na Justiça para que possam investigar esses panfletos”, afirmou.
Ratinho Junior e Michelle Bolsonaro manifestam apoio
O governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), compartilhou a manifestação de Raquel Lyra e defendeu a identificação e punição dos responsáveis pelos ataques.
“Os ataques à governadora Raquel Lyra devem ser repudiados. O braço forte da lei deve ser usado para punir quem apela contra uma mulher que tem feito muito bem ao povo de Pernambuco. Minha solidariedade, Raquel.”
A ex-primeira-dama e candidata ao Senado, Michelle Bolsonaro (PL), também publicou uma mensagem de apoio à governadora.
“Minha solidariedade à Governadora @raquellyraoficial, aos seus filhos e a todos os familiares.”
A senadora Damares Alves (Republicanos) questionou a escalada dos ataques pessoais durante o período eleitoral e afirmou que mulheres costumam ser alvo de ofensivas relacionadas à honra e à família.
“Ataques às mulheres são sempre na honra, na moral, ataque às famílias.”
Zema e Caiado também se posicionam
O governador de Minas Gerais e candidato à Presidência, Romeu Zema (Novo), também manifestou solidariedade a Raquel Lyra. Ele criticou o que classificou como ataques políticos e afirmou que a esquerda estaria “jogando sujo”.
Zema também elogiou a administração da governadora e declarou acreditar que os eleitores pernambucanos irão avaliar o trabalho realizado por ela nas urnas.
Já o governador de Goiás e também candidato à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD), afirmou que a disputa política não pode ultrapassar os limites do respeito.
“Divergência política é natural e faz parte da democracia, mas o que estamos vendo em Pernambuco é de uma truculência sem limites. A política não pode se transformar em um faroeste sem escrúpulos, onde a dor da perda seja palanque para alguém.”
Caso será investigado
A campanha de Raquel Lyra informou que levou o caso às autoridades. Um boletim de ocorrência foi registrado junto à Polícia Civil, e a Polícia Federal também foi acionada para auxiliar na apuração da origem dos cartazes e na identificação dos responsáveis pela produção e divulgação do material.
A equipe da governadora classificou o episódio como um caso de violência política.
Até o momento, não há confirmação pública sobre a autoria dos cartazes. As acusações apresentadas nas peças contra Raquel Lyra são alegações não comprovadas e são alvo de investigação pelas autoridades.
