Cientistas encontram sinais de vida marinha antiga sob o gelo das Cataratas de Sangue, na Antártida
Pesquisadores identificaram DNA de milhares de microrganismos e encontraram evidências de uma antiga comunidade marinha isolada há centenas de milhares de anos
Um estudo publicado em 3 de agosto de 2026 pela revista Nature Geoscience revelou novas evidências sobre as misteriosas Cataratas de Sangue, na Antártida. Pesquisadores identificaram milhares de microrganismos em amostras coletadas na região, incluindo organismos que apresentam características genéticas associadas a antigas comunidades marinhas.
A pesquisa analisou 167 amostras de água, sedimentos, gelo e ar coletadas nos Vales Secos de McMurdo e em áreas próximas. O objetivo foi investigar a origem da água e dos organismos encontrados no ambiente extremo.
Na região da Catarata de Sangue, localizada na extremidade da Geleira Taylor, os cientistas identificaram uma comunidade de microeucariotos marinhos, organismos microscópicos formados por células com núcleo definido.
Entre os microrganismos encontrados estão diatomáceas, dinoflagelados, haptófitas e ciliados.
Por que as Cataratas de Sangue são vermelhas?
A coloração avermelhada da água está relacionada principalmente à presença de ferro na salmoura que emerge da geleira. Quando o líquido entra em contato com o oxigênio da atmosfera, o ferro sofre um processo de oxidação, provocando a característica tonalidade vermelha.
Além do ferro, a salmoura contém altas concentrações de sais e sílica, criando condições químicas incomuns para a região.
Como os microrganismos foram parar sob a geleira?
A hipótese apresentada pelos pesquisadores é de que, durante períodos mais quentes do passado, água do mar tenha alcançado o Vale Taylor. Posteriormente, mudanças no nível dos oceanos e o avanço das geleiras teriam isolado parte dessa água salgada sob o gelo.
Com o passar do tempo, o ambiente teria se tornado cada vez mais frio, salgado e isolado. Os microrganismos encontrados atualmente carregariam marcas genéticas dessa antiga origem marinha, além de adaptações que permitiram a sobrevivência em condições extremas durante milhares de anos.
Descoberta pode ajudar a entender o passado da Antártida
Para os pesquisadores, as evidências encontradas nas Cataratas de Sangue podem ajudar a reconstruir parte da história ambiental da Antártida e compreender como os oceanos, as geleiras e o continente interagiram ao longo do tempo.
Segundo Andrew E. Allen, autor sênior do estudo, as assinaturas moleculares identificadas indicam a existência de uma comunidade localizada, moldada pelas características químicas e pela história geológica da região.
A descoberta oferece, de acordo com os cientistas, uma espécie de “janela biológica” para o passado da Antártida, permitindo investigar antigas conexões entre o oceano, o gelo e a terra.
