Justiça nega pedido de prisão de vereador investigado por esquema de “rachadinha” em Curitiba

 Justiça nega pedido de prisão de vereador investigado por esquema de “rachadinha” em Curitiba

A Justiça negou o pedido de prisão preventiva do vereador de Curitiba Lórens Nogueira, investigado pelo GAECO por suspeita de participação em um esquema de “rachadinha” envolvendo servidores públicos e funcionários ligados ao parlamentar.

Lórens foi o principal alvo da Operação Déjà-vu, deflagrada na terça-feira (26), que apreendeu quase R$ 120 mil em dinheiro encontrados em malas e mochilas em endereços relacionados ao vereador.

Segundo documentos da investigação, o pedido de prisão foi negado pelo juiz Rodrigo Simões Palma, da Central de Garantias Especializada da Região Metropolitana de Curitiba.

Apesar da negativa, o magistrado reconheceu haver indícios de que o vereador exigia que assessores parlamentares e servidores indicados por ele devolvessem parte dos salários recebidos.

Na decisão, o juiz afirmou que há sinais de uma “dinâmica reiterada de exigência de valores”, mas entendeu que, neste momento, não estavam presentes os requisitos necessários para decretar a prisão preventiva do parlamentar.

As investigações avançaram por meio de uma ação controlada autorizada pela Justiça — técnica em que autoridades acompanham a prática suspeita para aprofundar a coleta de provas e identificar outros envolvidos.

Durante a operação, investigadores filmaram uma servidora entregando dinheiro diretamente ao vereador dentro do Instituto Grupo Solidário, no bairro Xaxim, em Curitiba.

Nas imagens, Lórens aparece recebendo e contando nota por nota o valor entregue pela funcionária. Segundo o Gaeco, a quantia somava R$ 5,6 mil, referente a repasses ligados aos salários dos meses de março e abril.

A servidora relatou em depoimento que ocupava um cargo no Detran do Paraná por indicação do vereador e que era pressionada a devolver cerca de R$ 6 mil mensais ao parlamentar.

Segundo o Ministério Público, a funcionária afirmou ter sido ameaçada de demissão caso deixasse de realizar os pagamentos. Em um dos episódios, ela precisou recorrer à mãe para conseguir um empréstimo e efetuar o repasse exigido.

Juiz impôs medidas cautelares

Mesmo sem decretar a prisão, o magistrado autorizou 13 mandados de busca e apreensão e determinou medidas cautelares contra o vereador, entre elas a proibição de manter contato, direto ou indireto, com a servidora que denunciou o esquema.

No pedido de prisão, o Gaeco argumentou que a liberdade do parlamentar poderia comprometer as investigações, diante da possibilidade de pressão sobre testemunhas e servidores ligados ao gabinete.

Além do suposto esquema de “rachadinha”, os investigadores também apuram possíveis casos de funcionários fantasmas relacionados ao vereador.

Após a operação, Lórens Nogueira deixou a presidência do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Municipal de Curitiba.

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