Mulher entra na Justiça após complicações em cirurgia plástica causarem necrose e feridas graves em Curitiba
Uma mulher de 36 anos entrou na Justiça após relatar graves complicações decorrentes de uma cirurgia plástica realizada em um hospital de Curitiba. Segundo a paciente, o procedimento estético realizado em 2022 evoluiu para um quadro de necrose e feridas severas na região abdominal, exigindo nova intervenção cirúrgica e provocando impactos físicos, emocionais e financeiros.
De acordo com o relato, a mulher decidiu realizar a cirurgia após duas gestações, com o objetivo de melhorar a autoestima. Ela passou por uma abdominoplastia, correção de diástase abdominal e lipoaspiração.
A paciente afirma que poucas horas após o procedimento começou a sentir fortes dores, dificuldade para respirar e desconforto intenso durante a internação. Segundo ela, os pedidos de ajuda feitos à equipe de enfermagem durante a madrugada não teriam sido atendidos adequadamente.
“A enfermeira não me atendeu. Eu chamei ela à meia-noite, depois às 3h22 e novamente antes das 6h, porque sentia dor, falta de ar e o antibiótico não descia”, relatou.
Paciente afirma que médico se assustou com quadro pós-operatório
Na manhã seguinte à cirurgia, a mulher afirma que os médicos identificaram acúmulo de sangue e líquidos na área operada. Segundo ela, o profissional responsável teria demonstrado preocupação ao avaliar o quadro clínico.
“Ele ficou assustado. A pele parecia estar fervendo. Eles retiraram cerca de 1,5 litro de seroma e ali começou minha luta”, contou.
A paciente disse ainda que gravou uma conversa com o médico, na qual ele teria informado que o dreno estava obstruído quando chegou ao hospital. Para ela, a situação reforça a suspeita de falha no atendimento prestado pela equipe de enfermagem.
Com a evolução do quadro para necrose, uma segunda cirurgia precisou ser realizada poucos dias depois.
“Era uma cirurgia prevista para durar 40 minutos, mas levou quatro horas porque foi necessário abrir outras camadas. Havia mais seroma interno e o umbigo estava se desprendendo”, afirmou.
Recuperação longa e impactos na vida profissional
Após a segunda intervenção cirúrgica, a paciente relata que enfrentou uma recuperação prolongada, com feridas abertas no abdômen, necessidade de curativos frequentes, sessões de drenagem e dificuldades de locomoção, chegando a utilizar cadeira de rodas.
Ela afirma que as sequelas também afetaram sua rotina profissional e pessoal.
“Eu não vou à praia, não consigo usar biquíni. Perdi clientes, materiais de trabalho e tive uma quebra financeira muito grande”, disse.
A advogada da paciente, Jessica Queiroz, informou que a ação judicial pede indenização por danos materiais, morais e estéticos.
“Estamos solicitando ressarcimento de todos os gastos que ela teve, além de indenização pelos danos morais e estéticos. Ela precisou vender bens para conseguir se manter e até hoje enfrenta dificuldades para retornar ao mercado de trabalho”, explicou a advogada.
A paciente afirma que busca responsabilização pelo que considera falhas na condução do procedimento e no atendimento pós-operatório.
“Houve negligência. Quero que os responsáveis assumam o erro. Sou mãe de dois filhos e preciso seguir em frente”, declarou.
Ao falar sobre o futuro, a mulher disse que tenta reconstruir a própria vida após as complicações enfrentadas.
“Quero voltar a ser quem eu era antes e conseguir me sentir inteira novamente”, concluiu.
