A oposição ao governo federal articula estratégias para retardar o avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata da escala de trabalho 6×1 no Senado. A intenção é adiar a votação para depois das eleições e, dependendo do cenário político, empurrar a discussão para 2027.
Nos bastidores, parlamentares oposicionistas avaliam dois caminhos para frear a tramitação da proposta. A principal aposta é explorar o momento de desgaste na relação entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O distanciamento teria se intensificado após a rejeição da indicação de Jorge Messias ao cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
A estratégia prevê uma articulação de Alcolumbre com o presidente da Câmara, Hugo Motta, para desacelerar o andamento da PEC ao longo de junho.
Apesar disso, segundo apuração da CNN, Alcolumbre teria reafirmado ao Palácio do Planalto o compromisso de acelerar a tramitação e concluir a votação em plenário ainda em maio. O senador, no entanto, sinalizou à oposição que pretende voltar a discutir o tema com Hugo Motta.
A condução da PEC na Câmara também estaria relacionada a acordos políticos. A pressa de Hugo Motta em avançar com a proposta estaria ligada ao apoio do presidente Lula à possível candidatura de Nabor Wanderley (Republicanos-PB), pai de Motta, ao Senado pela Paraíba.
Outra alternativa considerada pela oposição é permitir que a PEC chegue ao Senado no início de junho, conforme o cronograma previsto, e atuar para prolongar sua tramitação dentro da Casa. Esse movimento, porém, é visto com cautela por parlamentares oposicionistas, já que, após chegar ao Senado, a proposta ficará sob análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).